Currículo em PDF ou Word: qual enviar em cada caso
Currículo em PDF ou Word? Greenhouse e Workday aceitam os dois. A Gupy dá duas respostas e a Vagas.com não aceita anexo. O que falha é o arquivo sem texto.

PDF ou Word: os dois funcionam. Os sistemas de rastreamento de candidatos (ATS) de fabricantes grandes, como Greenhouse e Workday, aceitam os dois formatos, e nenhuma das documentações deles manda evitar um deles. O que dá errado é outra coisa: um arquivo sem texto dentro, como o PDF de uma folha escaneada ou a foto de um currículo impresso.
A nossa recomendação, que é opinião e não regra: mande PDF quando ninguém pedir outra coisa, e Word quando a vaga, o portal ou a consultoria pedirem. No Brasil, dois canais mudam a conta. Na Gupy, a empresa não vê o seu arquivo, e os materiais da própria Gupy dão respostas diferentes sobre o formato. Na Vagas.com, não existe anexo.
O que os sistemas aceitam
A Greenhouse, fabricante americana de ATS, publica a lista de formatos aceitos
numa página de ajuda atualizada em 19 de agosto de 2026: .doc, .docx,
.pdf, .rtf e .txt. O limite é de 100 MB por arquivo, "which will support
most cover letters and resumes", o que cobre qualquer currículo.
O HiredScore, produto da Workday para equipes de recrutamento, documenta o mesmo conjunto: "DOC, DOCX, PDF, RTF, and TXT".
Nenhuma das duas páginas diz que um formato é lido melhor que o outro.
O que falha de verdade: o arquivo sem texto
A Greenhouse mantém outra página, sobre currículos que a leitura automática não consegue extrair, atualizada em 2 de março de 2026. Dois itens da lista importam aqui:
- "Resumes that are uploaded as an image, rather than a document (such as a .docx or .pdf)": currículos enviados como imagem, e não como documento.
- "Resumes that include graphics, photos, or word art": currículos com gráficos, fotos ou word art.
Repare que o primeiro item cita o PDF como exemplo de documento que funciona. O problema não está na extensão do arquivo. Está no que ele carrega.
Camada de texto é o texto de verdade que um PDF guarda por baixo do que aparece na tela, letra por letra. É dela que um parser extrai nome, cargos e datas. Quando você exporta o currículo do Word ou do Google Docs, essa camada vem junto. Quando você escaneia a folha, fotografa com o celular ou transforma um print em PDF, o arquivo tem cara de documento e nenhuma letra dentro.
Na tela, os dois parecem iguais. Para o parser, um deles está em branco.
Teste o seu arquivo em um minuto
- Tente selecionar uma palavra do seu nome. Abra o PDF e arraste o cursor sobre o sobrenome. Se só aquela palavra fica marcada, há texto. Se a página inteira é selecionada como um bloco, ou nada é selecionado, o arquivo é uma imagem.
- Copie tudo.
Ctrl+AeCtrl+Cno Windows,Cmd+AeCmd+Cno Mac. - Cole num editor de texto puro, como o Bloco de Notas ou o TextEdit em modo texto simples, e leia de cima para baixo.
Se não colou nada, volte ao arquivo original e exporte de novo. Se colou tudo, mas com cargos e datas embaralhados, a causa costuma ser o layout, e o que a Greenhouse e a Gupy dizem sobre currículo em duas colunas explica por quê. O que mais quebra a extração está no guia sobre currículo e ATS.
Na Gupy, os próprios materiais não concordam
Quem se candidata pela Gupy encontra mais de uma resposta, e todas vêm da Gupy.
O formato em si não é barreira. O e-book Manual completo para conquistar a vaga dos sonhos, que a Gupy publica para pessoas candidatas, diz que você pode enviar o currículo "em formato PDF, .doc ou .docx" para que a plataforma preencha os campos, e que as informações são "extraídas automaticamente de arquivos PDF e DOCX". Não há preferência ali.
Dois textos do Blog do Emprego preferem Word. O de 16 de janeiro de 2026, sobre preenchimento de currículo, fecha com um checklist em que um dos itens é "Enviei um arquivo compatível (PDF, .doc, .docx) e preferi .doc/.docx quando possível". O de 30 de dezembro de 2025, de boas práticas, pede o mesmo: "Prefira salvar o documento no formato doc ou docx". Esse segundo texto justifica o pedido com uma afirmação sobre PDF que o e-book da própria Gupy contradiz, ao dizer que extrai as informações de arquivos PDF.
E um checklist da Gupy, 7 passos para montar um ótimo currículo, vai no sentido contrário: recomenda montar o currículo "como um documento de texto normal, enviando-o em formato PDF".
Três materiais da mesma empresa, três posições. Não vamos escolher uma e chamar de regra da Gupy.
O que dá para afirmar vem de outra frase do texto de janeiro: na candidatura padrão, "a empresa recrutadora não terá acesso ao documento (arquivo) submetido". O arquivo serve para preencher os campos do cadastro, e a pessoa recrutadora lê os campos. Na Gupy, a vantagem do PDF, que é ter a mesma aparência em qualquer tela, não chega a ninguém.
A nossa leitura: para a Gupy, mandar .docx não custa nada, e dois dos textos
dela pedem isso. Mas o passo seguinte pesa mais do que o formato. A Gupy chama o
preenchimento automático de "um rascunho rápido: útil, mas não final" e
completa: "nunca deixe de revisar campo a campo". Seja PDF ou Word, uma data que
caiu no campo errado é a data que a empresa lê.
A Candidatura Rápida funciona de outro jeito, e o que as perguntas eliminatórias da Gupy fazem descreve as duas modalidades e o que não pode ser corrigido depois do envio.
Na Vagas.com, a pergunta não existe
A central de ajuda da Vagas.com tem uma página com a dúvida no título: "Posso enviar um currículo em WORD ou PDF?". A resposta é não. "O envio de currículos acontece somente pelo próprio Vagas.com", e por isso "não é possível inserir anexos de currículos criados em Word ou PDF". O currículo é o cadastro online, e é ele que chega às empresas.
O arquivo ainda pode servir de ponto de partida. A mesma central descreve o VcCV, um assistente da Vagas.com que monta ou atualiza o currículo em conversa. Uma das formas de alimentá-lo é esta: "Enviando um arquivo, como Word, PDF ou uma foto do currículo". Antes de qualquer coisa ser salva, você revisa o que ele organizou e decide o que fica.
Na Vagas.com, portanto, nenhum formato de arquivo chega à empresa. Chega o cadastro, e a revisão é sua.
Qual formato mandar em cada caso
| Para onde vai o currículo | O que mandar | Por quê |
|---|---|---|
| Vaga que pede um formato | O formato pedido | A instrução da vaga vale mais que qualquer conselho genérico. |
| E-mail para uma pessoa recrutadora, ou indicação | Chega com a aparência que você montou. | |
| Portal de empresa sem instrução de formato | Greenhouse e Workday aceitam os dois, e quem abrir o arquivo vê a página como você fez. | |
| Gupy, candidatura padrão | .docx, ou PDF com camada de texto | A empresa lê os campos, não o arquivo. Revise cada um. |
| Vagas.com | Nenhum arquivo | Não há anexo. O cadastro online é o currículo. |
| Consultoria que passa o currículo para o próprio modelo | Word, se ela pedir | Para editar, ela precisa de um arquivo editável. |
Por que PDF quando ninguém pede
Isto é opinião, com o mecanismo à vista.
Um PDF descreve a página pronta. Um .docx descreve o conteúdo, e o programa de
quem abre redesenha a página com as fontes que tiver instaladas. Se a fonte que
você usou não existe naquele computador, entra outra no lugar, e uma linha que
cabia pode empurrar a última experiência para a página seguinte.
Nada disso muda a leitura automática, que extrai o texto e descarta a aparência. Muda o que a pessoa vê quando abre o arquivo.
O jeito prático é ter os dois. Mantenha a versão editável no Word ou no Google Docs e exporte um PDF novo a cada envio. Exportar do editor é o que garante a camada de texto. Imprimir e escanear, não.
Confira o que um parser lê do seu arquivo
O teste do texto puro mostra se o arquivo tem texto. Não mostra em que campo cada informação cai.
A leitura do Rzume mostra. Envie o seu currículo em PDF ou DOCX, até
2 MB, sem criar conta. Ele extrai os campos, lista o que não conseguiu colocar
em lugar nenhum e depois apresenta os achados da análise. A leitura e a análise
completa são gratuitas. O .doc antigo não entra: salve como .docx ou exporte
um PDF.
Se o arquivo não tiver texto legível, o Rzume avisa em vez de adivinhar e sugere exportar um PDF com texto a partir do Word ou do Google Docs. Ele não tenta ler letras dentro de uma imagem, de propósito, porque a ideia é mostrar o que um parser enxerga.
O Rzume não se conecta à Gupy nem a nenhum ATS de empregador, então não sabe o que o parser deles fará com o seu arquivo. Na reescrita, trabalha só com a evidência que você fornece e pergunta quando falta um número, porque não inventa.
Envie o seu currículo antes de subir o arquivo na próxima vaga.
Fontes
- Greenhouse, Supported formats for resumes, cover letters, and other candidate uploads, documentação do fornecedor, atualizada em 19 de agosto de 2026.
- Greenhouse, Unsuccessful resume parse, documentação do fornecedor, atualizada em 2 de março de 2026.
- Workday, HiredScore: candidate profiles, documentação do fornecedor.
- Gupy, Manual completo para conquistar a vaga dos sonhos, e-book para pessoas candidatas, páginas 5 e 10.
- Gupy, 7 passos para montar um ótimo currículo, checklist para pessoas candidatas, item "Use o formato adequado de currículo".
- Coutinho, J., Gupy, Blog do Emprego, Preenchimento de currículo na Gupy com o uso de arquivo: como funciona, 16 de janeiro de 2026, blog do fornecedor, citado sobre o funcionamento da própria plataforma.
- Ximenes, B., Gupy, Blog do Emprego, Veja dicas e boas práticas para o seu currículo na Gupy, 30 de dezembro de 2025, blog do fornecedor, citado sobre o funcionamento da própria plataforma.
- Vagas.com, Central de ajuda, Posso enviar um currículo em WORD ou PDF?, documentação da plataforma, sem data na página.
- Vagas.com, Central de ajuda, O que é e como utilizar o VcCV?, documentação da plataforma, sem data na página.
Todas as fontes acessadas em 28 de outubro de 2026.


